quarta-feira, 18 de novembro de 2020

O Amor me chamou.

 Há de se curar. Mas como? Há de se curar? Quem? Eu? Há de curar a tribo? Mas eu? O que? Há de curar o mundo.


Minh'alma cantou a vida inteira silêncios de mudança. Há de curar o mundo. Cada asfalto aberto em flor anunciava já desde sempre a existência que só agora dou conta de firmar. Há de curar a si. Foram tantas, tantas feridas no caminho, tantas quedas, como continuei andando? Há de curar a tribo. Não é muita presunção achar que esse miudinho que eu sou é capaz de colorir as ruas?

A cada novo dia tanta beleza que ainda não havia descortinado. Mãe Oxum, lava meus olhos? Ser feita da Deusa, matéria de estrela, de lama, de sangue morto, de tanto sangue vivo é todo dia um susto, uma reverência, uma afirmação. Hei de curar a mim. Não estou quebrada, ou suja, ou fraca, o amor fecha os cortes. Hei de curar a tribo, que cada pessoa que me encontra encontre a Deusa e me leve até ela. Hei de curar o mundo, que um olhar afetuoso estanca um pedacinho da ferida - miúdo, insignificante pedacinho-, mas a minha tribo e a tribo da minha tribo e a tribo da tribo da minha tribo, de insignificância em insignificância, molecularmente, atômicamente, trará amor.


A vida vive.

A poesia vive.

O amor vive.

Somos nós.

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