domingo, 8 de setembro de 2024
O som dos seus olhos.
terça-feira, 6 de agosto de 2024
domingo, 4 de agosto de 2024
"Como se eu quisesse bis de algo que aconteceu há tanto tempo, mano."
quinta-feira, 1 de agosto de 2024
Da exaustão de ser.
quinta-feira, 4 de julho de 2024
Despair.
Eu costumava ser umas daquelas pessoas encantadas que vêem sempre a beleza e a magia no amor. Eu via sempre cor e movimento, a música da vida ecoava dentro de mim como um tambor, eu amava de corpo inteiro. Eu costumava achar que valia a pena lutar por isso. E eu lutei. Eu lutei até não ter mais uma gota de sangue correndo no corpo. Eu lutei até a morte se instalar terrível e definitivamente no meu peito. Meu corpo, antes tão forte, tão ígneo, agora é cemitério, com seu silêncio e sua dor, vidas e mais vidas enterradas no que poderia ter sido, mas não foi, não é, não será. Quanta perda cabe no chão do meu corpo? Passo os dias, como numa esteira de aeroporto, entre despedidas intermináveis. É preciso ir embora todos os dias ao acordar, e tem dias - quase sempre - em que eu só queria poder ficar, me deitar no seu peito e descansar da luta. Será que um dia as feridas de facas nas costas se fecham? Será que algum dia posso voltar a andar olhando pra a frente? Será que quero? Aqui, de frente para o precipício, parece melhor me deixar cair. Foda é que eu já caí antes, e a queda não é tão boa quanto promete.
sábado, 11 de maio de 2024
Esqueça tudo.
Esqueça o que vimos juntos, esqueça o beijo que soltei no ar, esqueça que arrasei seu coração. Esqueça as nossas mãos entrelaçadas, o nosso sexo sorrindo, a minha voz grave chamando o seu nome. Esqueça que te amei tão rápido e com tal desenvoltura, como se te amasse há vinte anos e tivesse o sanativo pra cada nuance da sua dor, esqueça o quanto você me fez rir. Esqueça que temos o mesmo senso de humor e que você achou tão bonito o meu amor por aquela série, esqueça que achei bonito também o seu amor pela arte. Esqueça que parecemos feitos um pro outro, esqueça essa ideia louca de amor platônico, papo de duas metades de alma, você já não acredita nisso há tantos anos. Esqueça essa história de rever tudo pra ficar comigo. Esqueça que você já me ama, tão rápido, tão desengonçada e tão avassaladoramente. Esqueça o castanho dos meus olhos deitando nos seus, esqueça o sonho da nossa vida conjunta, esqueça que eu quero você também. Esqueça tudo, não foi nada demais, foi só um sopro.
Foda é que tem sopro que vira furacão.
sexta-feira, 1 de dezembro de 2023
Eu ainda amo o meu ex.
Acabo de ser arrebatada pela lembrança do quanto o amei. Essa noite eu tive um sonho em que a outra moça me perguntava o que eu esperava dele, se eu esperava que ele ficasse comigo, mesmo quando já não sentia nada e amava outra pessoa. Me lembrei disso agora e fui tomada pela resposta doce do amor que eu sentia por ele. Será que é possível dizer "sentia" como se o tempo se encerrasse ali e a lembrança de sentir não fosse também sentir? O tempo é uma piada de mau gosto. É como se eu estivesse parada no ar do que aconteceu/acontece/acontecerá, o passado não pára de acontecer. Eu ainda amo os meus exs, todos eles, eu ainda viveria com todos eles, não fossem as circunstâncias nossas terríveis inimigas e desertos não se formassem entre duas mãos. Eu ainda amo meus exs e eu não sinto muito por isso, eu sinto orgulho. Eu sinto orgulho porque, apesar de tudo e de tanto, eu ainda amo.
segunda-feira, 18 de setembro de 2023
Sonho lindo.
Nunca vi o seu rosto antes. A sua cara de surpresa ou de vergonha me são completamente desconhecidas. Não faço a menor ideia de como é o teu sorriso, ou de como sentiria a espinha acender ao tocar as suas mãos. Eu nunca te vi antes, mesmo que tenhamos trocado confidências e toda uma vida durante meses. Eu não sei onde te dói, mesmo que você tenha chorado no meu colo, e que eu tenha te coberto com o meu amor. Olhar pra você não significa nada, mas meses atrás eu falei que faria qualquer coisa para estar ao seu lado. Você não significa nada, ainda que eu tenha te dado tudo o que eu poderia dar de mim. Foi pouco. Eu devo mesmo ser pouco. Parece uma piada de mau gosto o tanto que eu te amei. E você sequer tem coragem de me dar boa noite. É triste ter dado tanto pra alguém tão pouco.
sexta-feira, 30 de junho de 2023
No air.
A saudade de você fazia o meu braço direito queimar. Essa ardência foi se expandindo pra a minha cuca até não sobrar mais espaço pra nada. Passei a fumar um cigarro toda vez que a sua ausência me fazia doer. Eu me odeio por ainda amar você. E assim eu virei fumante aos 32.
quarta-feira, 21 de junho de 2023
Eu fui completa e perdidamente apaixonada por você, e o tempo correu maratonas no meu peito enquanto eu construía castelos em cima de areia movediça. O seu nome pode ter sido Daniel, Roberto, André, Carolina, Pedro, Kauam, Weslei, Eduardo, Felipe, Lucas, Alexandre, Diego, na verdade não importa. O fim da história é sempre o mesmo: mais um amor pra engolir a seco e guardar naquela mesma gaveta, como se fosse mais uma das contas de luz que já foram pagas. De tanto entulho, a gaveta emperrou e hoje a ideia de ter que colocar mais alguma coisa lá parece estapafúrdia. O meu peito -esse saco de areia- não tem mais couro pra ser socado. Estou cansada, os dias seguem uma corrente de tristeza que passa lavando todo raio de luz que ouse romper a própria casca. "As lágrimas que não se choram esperam em pequenos lagos? Ou serão rios invisíveis que correm para a tristeza?". Quero ir embora de mim, toda essa umidade está me afogando.
terça-feira, 2 de maio de 2023
Demais.
domingo, 31 de julho de 2022
O show tem que continuar
Tem sido extraordinariamente exaustivo. Encarar a minha falibilidade tem sido desesperador sete dias por semana, vivo à beira do colapso. Talvez eu tenha me acostumado a ter facilidade em tudo ou apenas não costumava ter esse grau de exigência comigo mesma. Ser perfeccionista nunca foi um problema, mas é um imenso problema. Tenho estado deprimida, ainda que fazendo o que minha alma me pede pra fazer, sem arrependimentos. Me sinto meio Dorian Grey olhando o próprio retrato roído dos vícios. Tenho tantos vícios... Noite e dia me pergunto como as outras pessoas conseguem apenas aceitar o que é e se satisfazerem enquanto eu sou viciada nas faltas, nunca estou contente. Se eu soubesse um pouco mais, se inventasse um pouco mais, se eu fosse muito mais... Me sinto superficial, oca, minúscula. Faço más fofocas sobre mim o tempo inteiro pra mim mesma. "Você viu o que eu fiz naquela cena? Como pude?" Não me deixo em paz um dia sequer, sou minha pior inimiga. Os elogios, jogo-os pelo ralo, ninguém é capaz de ver a verdade além de mim, grande narcisista que sou. Meus demônios estão todos no palco, dançando ao meu lado, mas ainda assim sigo protegida. A guerreira que me guarda e me habita me dá suas bençãos mesmo quando dificulto tudo. Preciso melhorar, por mim e por ela. Estou cansada de quem eu tenho sido.
sexta-feira, 27 de maio de 2022
Posso te falar do medo, do meu desejo, do meu amor.
De fato, não é fácil ser braba todo dia. As araras na minha cabeça ganharam essa batalha me levando à exaustão. Not enough, not enough, not enough - grasnam o dia inteiro -, não é possível que eu não posso fazer melhor. Never enough. Tenho tomado surras e mais surras do cansanção da autocobrança. A pior parte é que sou eu a espancadora e eu... Ah, eu sei bem me bater onde dói. "Nobody said it was easy, no one ever said it would be this hard". Seria impossível contar as vezes em que ouvi "é muito difícil viver de arte no Brasil", isso todo mundo já entendeu. O que ninguém avisou é que seria difícil viver arte nesse corpo-país que sou eu. Por que ninguém me avisou da neurose do artista, da ansiedade, da sensação de "eu não sirvo pra isso" mesmo quando "isso" é o que desejei de corpo inteiro por toda a vida? Por que ninguém me falou que dói tanto que nos faz perder o sono, a fome, o brio? Como a adolescente que fui, cega de amor e medo, tateio jardins e ruínas em mim, grandes palacetes, salas de tortura, uma imensidão que me engole todo dia de manhã e me cospe, mastigada e semidecomposta ao fim da noite.
domingo, 27 de março de 2022
Point of no return
Às vezes a gente finge que dá pra voltar, pra desver, pra passar por cima do insight tido. Às vezes até tentamos voltar atrás, correr de volta pro útero dos dias, onde ainda havia a chance do óvulo temporal não encontrar o espermatozóide das percepções, quando ainda era possível nos fazermos de tolos. Não posso mais, agora é tarde, Inês (ou a velha Bárbara?) é morta, minha alma clama por arte. Toda aquela busca (quem sou eu?) me trouxe até aqui, à beira desse penhasco. Essa alma que anseia tocar e ser tocada, que se alimenta de beleza e fantasia, que, mesmo sem permissão, serpenteia cantando e que faz da vida espetáculo circense não quer mais deixar o spotlight. Aquela euzinha dentro de mim já não grita mais desesperada, ela se junta a mim para abrir as cortinas. Me sinto inteira. E linda. E, enfim, encarando o abismo mais assustador: admitir que se eu não for arte, eu prefiro a morte.