terça-feira, 4 de agosto de 2015
Trans-fi-gu-ra-ção.
Paixão quando dói, dói é salgada. Tem o gosto do sangue que jorrou da minha boca quando parti o lábio certa vez. Queimadura da caravela que se enrolou na minha perna quando eu era pequena demais pra me proteger. É sal demais em toda comida, desprazer diário de engolir saudade. Mas paixão já não rasga minha pele nem meus pulsos, já não me vira a cabeça feito louca vagando pelas ruas em direção a sua casa, já não me impele à morte. Crescer dói pra melhor às vezes. Saber que se não desvairei até agora é porque o coração aguenta o tranco, e há de aguentar mais, vai saber até quando. Seja como for, na dor ou no amor, melhor é estar inteira. Melhor é a escolha, não o barco descendo descontrolado rio de emoções abaixo. Quem diria que seria eu a perceber?
segunda-feira, 6 de julho de 2015
Do nó.
As lembranças dos menores detalhes de nós dois atravessam o meu dia em espirais insistentes que não me afastam de nada em ti. O toque da minha mão na sua nuca, do seu lábio inferior no meu queixo, o suspiro, a força com que os nossos corpos se envolveram. Não posso ter tudo e o meu vazio hoje é no lugar que você se instalou.
quinta-feira, 18 de junho de 2015
simplesmente porque falta barulho.
A falta que me faz o seu sorriso se infiltrou em cada um dos cravos do meu rosto e o dia inteiro se transformou em uma sucessão de cortes dos meus impulsos de te procurar. Eu não sou mais aquela garota que fala de amor. Feels like all this time my heart has been slowly ripped apart and now there's nothing left to feel love or hate or anger. Ficou só essa coisa fria no fundo da garganta, que poderia perfeitamente ser apenas essa gripe, mas não é. And there's no point in calling you anymore but that's all I can think about. And my phone won't ring, your phone won't ring, do you still think about me? "Será que você vai saber o quanto eu penso em você com o meu coração?" Também não tem mais sentido nisso, sem qualquer utilidade, eu queria que você soubesse. Mas você não vai saber.
I miss everything about you. (and i know how pathetic that sounds)
I miss everything about you. (and i know how pathetic that sounds)
sábado, 16 de maio de 2015
Aos meninos a quem nunca disse olá.
Peguei-me aqui pensando neles, em um deles especificamente cuja voz me causou tantas sensações que hoje, um ano e meio depois, ainda recordo e cujo rosto me lembro em detalhes. Me encontrei aqui relembrando as músicas, os sorrisos, a leveza de pessoas que simplesmente sentaram-se numa praça pra cantar. Despropósito, a vida não proposital atinge espaços tão profundos quando toca o que é de verdade, porque é de verdade. Verdade é que ao longo dos anos tenho tendido a esquecer o prazer de desavisadamente ser, meço minhas palavras, parça. Meço muito mais do que as palavras, meço ir ou não ir com o peso de quem destrói um mundo se fizer a escolha errada. Logo eu, tanto já desmedida. Por hoje quero o mundo inteiro e o descompromisso, o poder que só saber que a vida é possibilidade a cada esquina dá. Eu não quero andar na linha, eu nunca quis, mas por que vira e mexe me encontro fazendo esse esforço tremendo ao invés de andar onde meus pés pisam? De tantos por que's, quando "porque eu quero/quis" deixou de ser bom o suficiente? De que nos valem tantas explicações, calculações, limitações? Que gosto tem a vida previsível, que de tanto procurar já feri minha língua? Será perda de tempo, construção de carreira, casamento estável, filhos em colégio caro, carro do ano, cobertura, café-da manhã, almoço, jantar e lanches a cada 3 horas, senhora respeitável, mãos dadas, olhar distante, peito abafado de tantas atualizações que acontecem por minuto nos sentidos, nas vontades, mas que precisam ser engolidos em prol de uma forma. DE-SE-JO. Como explicar a doçura de desejar, ter e gozar em cada escolha, dia após dia, pra quem (e essa parte de mim que) acha que devo gozar baixinho pra não acordar a vizinhança? Como falar de viver, viver de verdade, pra isso que diz que devo pensar em cada um dos meus passos, inconvenientes, fracasso, programação, teto pra dormir, sapato pra chegar? Não é possível dizer, é possível lançar-se à vida, é possível resistir. Resisto então, entregando-me.
Fugi do tema, por pura resistência (e entrega).
Obrigada aos meninos que não sei quem são, que não sabem quem sou, que possivelmente nunca mais encontrarei e cujos nomes nunca saberei, por me marcarem tanto, despropositadamente, numa tarde cantando e sorrindo sentados no chão de um bar, e só.
Fugi do tema, por pura resistência (e entrega).
Obrigada aos meninos que não sei quem são, que não sabem quem sou, que possivelmente nunca mais encontrarei e cujos nomes nunca saberei, por me marcarem tanto, despropositadamente, numa tarde cantando e sorrindo sentados no chão de um bar, e só.
domingo, 21 de dezembro de 2014
Drop.
Há tempos em que é preciso respirar fundo, submergir e aguardar que a onda passe, porque de outro jeito é pura embolada, é tomar caldo e ralar os joelhos na areia. Em outros momentos, é importante pegar carona na onda e nadar em direção à praia, senão você será arrastado cada vez mais forte para o fundo. Difícil mesmo é decidir o que fazer quando avistamos a onda vindo. Seria bom se na vida, como no mar, fosse fácil subir na prancha e furar as ondas, seguindo seu fluxo, mas sem submeter-se a ele, ter controle do seu corpo e simplesmente curtir a vista e a sensação do vento no rosto.
Histórico.
Lembrei hoje que, uma vez, quando eu estava no Ensino Fundamental, eu recebi um sms que dizia: "Se você tivesse deixado, eu teria ficado com você ontem no aniversário de xxx". Então, o que me lembro da história (o que já não é muito, visto que isso já tem pra lá de 10 anos de acontecido) é o seguinte: eu era completamente apaixonada por um garoto que eu considerava o meu melhor amigo, ele era bem bonito e tinha uma porção de outras garotas interessadas nele. Daí teve essa festa na casa desse outro menino e os casais começaram a se formar, o garoto com quem eu tinha dado o meu primeiro beijo ficou com uma das minhas melhores amigas, e como ele era primo desse garoto por quem eu era apaixonada, ficamos eu e ele conversando enquanto o casal se amassava. Lembro de ter percebido o movimento dele de querer se aproximar pra me beijar e tudo o que eu pensava é que ele estava querendo me ter como prêmio de consolação já que as outras garotas que ele queria verdadeiramente estavam com outros meninos. Na minha cabeça não era possível que ele me quisesse simplesmente por me querer. A verdade é que eu não sei quando tudo isso começou, quando eu comecei a me sentir incapaz de despertar o desejo e o amor de alguém, ou de mantê-lo, mas em algum momento emperrou essa tecla por aqui e esse sentimento se espalhou, feito erva daninha, na minha vida e em cada espaço da minha pele, da minha mente, da minha voz, do meu corpo. Tudo em mim inscreve que não sou alguém a ser amada, sou bicho sem par, está nas minhas roupas, nas minhas jóias, no meu olhar, não sou digna de amor ou de proteção. E assim, sedenta de amor e carinho e proteção, afasto, desde sempre, qualquer um de quem deseje tais coisas. E desconfio de que qualquer um possa estar disposto a se dar pra mim, porque eu sou esse alguém que só serve como resto de bandeja, aquele docinho quebrado que até quase o fim da festa ninguém desejou. E como acreditar que alguém por quem me apaixonei perdidamente pode retribuir um amor tão grande pra essa coisinha quebrada e sozinha no fim da festa que sou eu? E como poderia deixar que alguém ficasse comigo sendo isso? E se já não sou mais isso, e não sou mais isso, por que ainda sinto assim, ainda ajo assim, rejeitando o amor e o desejo da pessoa mais amada por não querer ser o prêmio de consolação? Por que é que é tão difícil pensar um dia ser prêmio principal, se talvez hoje já o seja?
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
'bout everything.
Lucas Scott: You're the one who wanted to be non-exclusive. I'm just doing what you wanted.
Brooke: What I wanted? I wanted you to fight for me! I wanted you to say that there was no-one else you could ever be with and that you'd rather be alone then without me. I wanted the Lucas Scott from the beach telling the world that he's the one for me!
Lucas Scott: How was I supposed to know that?
Brooke: You just are.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
Alô.
(...)Já não se encantarão meus olhos nos teus olhos,
Já não se adoçará junto a ti a minha dor,
mas para onde vá levarei o teu olhar
E por onde caminhes levarás a minha dor.
Fui teu, foste minha,
O que mais?
Juntos fizemos uma curva
Na rota por onde o amor passou.
Fui teu, foste minha,
tu serás daquele que te ame
daquele que corte em tua horta
o que semeei eu.
Vou-me embora.
Estou triste, mas sempre estou triste,
Venho dos teus braços
não sei para onde vou,
... do teu coração me diz adeus uma criança
e eu lhe digo adeus.
Pablo Neruda -Farewell e os soluços.
Já não se adoçará junto a ti a minha dor,
mas para onde vá levarei o teu olhar
E por onde caminhes levarás a minha dor.
Fui teu, foste minha,
O que mais?
Juntos fizemos uma curva
Na rota por onde o amor passou.
Fui teu, foste minha,
tu serás daquele que te ame
daquele que corte em tua horta
o que semeei eu.
Vou-me embora.
Estou triste, mas sempre estou triste,
Venho dos teus braços
não sei para onde vou,
... do teu coração me diz adeus uma criança
e eu lhe digo adeus.
Pablo Neruda -Farewell e os soluços.
domingo, 14 de dezembro de 2014
O coração amarelo.
Quando perderam-se as palavras em minha garganta, que já não encontro sequer grunhido que não os gemidos de dormir? Sucessão de horas intermináveis, em que não toca o telefone ou o interfone, horas de nada seguido de nada temperadas com pitadas de cortes profundos na linha direita do meu trapézio. Que interrompa o silêncio um xingamento ou uma jura de amor, que alguma cor se dispa frente a mim, que meus vermelhos perderam o fôlego, ou a esperança. Que se interrompa em mim essa imensidão de células pulsando por sua voz de oxigênio ou que irrompa de dor até a morte o meu sangue entrecortado de desejos e saudades implodidas. Com que coragem você pode falar de amor, se desse amor escolheu a falta? De todas as escolhas, logo essa que é só areia descendo ampulheta abaixo e afundando toda possibilidade de nós?Algum dia fomos além de eu e você no seu amor? Algum dia fomos nós?
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
Se quiser falar de amor, fale com o Marcinho.
Tanto quanto o amor pode ser alavanca no lançar-se à vida, pode ser deslizamento de ribanceira, soltando despenhadeiro abaixo sonhos e esperanças de sorrisos a sós, melhores sorrisos a sós. E de repente, atirar-se de peito aberto, pode tanto trasbordar o rio de prazeres quanto "bater cabeça no fundo" ou na ponta de uma faca. O amor, como desdobramento de possibilidade, desdobra possibilidades cruéis de machucados violentos e inesperados, porque o amor é tão mais cego que o Stevie Wonder. E então, viver se torna isso, carregar esse punhado de dor e areia que descem goela abaixo como se cheirasse a flor esse buraco de nada rasgado no peito. Levanta-te e anda, diria Jesus. Mas sofreu Jesus de dor de amor? Curou Jesus uma dor de amor? Transformou em saúde a falta, os sonhos quebrados, o meio mundo de ilusões ansiando se tornarem reais? Transformou em beleza as praias nunca visitadas, as bebedeiras a dois nunca realizadas, as madrugadas intermináveis de aconchegos nos teus braços que nunca serão? E essa febre que os olhos pegam, essa dor no corpo que vem do fundo da alma, localizando sua saída bem na boca do estômago, na febre que a garganta assume também. Esse retalho que vira a alma, drenada, faminta até a última gota, esvaindo-se em desejos de amor e de carinho que jamais receberei. Você não entende nada do que eu digo, você não entende nada em mim.
"Tá legal!/É, e eu faço o quê com a nossa vida genial?/'Cê vai viver pra outra vida e eu fico aqui/Na vida que ficou em minha vida/Tão perto de mim/Tão longe de mim." - Simone Saback. (https://www.youtube.com/watch?v=CqLEcfC6yg4)
"Tá legal!/É, e eu faço o quê com a nossa vida genial?/'Cê vai viver pra outra vida e eu fico aqui/Na vida que ficou em minha vida/Tão perto de mim/Tão longe de mim." - Simone Saback. (https://www.youtube.com/watch?v=CqLEcfC6yg4)
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Pra esquecer.
Hoje acordei com vontade de sumir no meio do mato pra conversar com fadas e gnomos, com mães-d'água e com o vento. Hoje acordei com vontade de mim, de terra e fogo e água e ar, e tanto ar quanto não seria possível encontrar aqui, nessa absurda poluição de inocências. Sigo com essa vontade de rio, de uma água tão gelada que matasse de frio essa frieza que se instalou em minha traqueia. Deixar de alimento pros peixes tanta lembrança, tanto lugar, essa tanta gente, e renascer, feito estrela-do-mar, de um pedacinho qualquer que restar. Hoje quero ir-me embora, mas não pra Pasárgada, que estou mesmo é bem farta de reis. Quero ir-me pra debaixo d'água, onde é tudo silêncio.
"E não vem me dizer que é errado, você sabe o que aconteceu. Boa parte de mim vai embora, a sua parte que hoje sou eu." - Helio Flanders / Reginaldo Lincoln
"E não vem me dizer que é errado, você sabe o que aconteceu. Boa parte de mim vai embora, a sua parte que hoje sou eu." - Helio Flanders / Reginaldo Lincoln
quinta-feira, 9 de maio de 2013
eu quero ver o invisível.
Eu tenho andado muito só. E, incrivelmente, eu tenho andado muito povoada. Povoada de mim e outras pessoas, povoada dos desejos de dar energia e vida às coisas. Pode ser que meu povoado vire cidade fantasma por mero descuido, destrambelhamento. Sou dona de mim e me aproximo e me afasto sem me perder, sem intenção de ser mais do que sou, aceitando o que há de diferente em mim, que é tão igual ao que há de diferente em todo o mundo, e que não é mais nem menos, apenas é. Sinto a vontade imensa, cada vez maior, de ser igual a todo mundo, de me misturar a todo o mundo, de ser a coisa única, perpétua, simples e real que é todo o mundo. A simplicidade que tem quem não quer ser e é porque é, não porque seria se. E aqui comigo eu quero os mil povos, todas as religiões, todas as linguagens, todas as raízes, todas em mim, em volta de mim, eu e os outros eus me religando a todos os deuses e aos humanos, me falando com outras vozes em línguas indizíveis, arraigando-me/nos. Eu ando povoada dessas tantas gentes que querem ser tudo e querem ser nada, gentes que querem ser cosmos, dança e adoração, gentes que querem ser tudo que não palavra.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
O amor é a não-pergunta e a não-resposta que responde. É o tempo correndo rápido, os dias imensos e curtos demais. O amor é a presença inteira, desconexa, escancarada, despudorada em cada detalhe de passado-presente-futuro. O amor é a janela nova que você se deixou colocar na parede só porque deu vontade: pode ser paisagem ou suicídio, é paisagem e suicídio. É uma variedade infinita de cheiros e de ventos varrendo a casa. O amor é. É porque é. É uma coisa meio cósmica, meio organísmica, que extrapola o conhecimento e reescreve as possibilidades de ser amor. O amor é deus para muito além de "Deus é amor". É brincar de picula à beira do precipício, quanto maior, maior o gozo. O amor também é isso que você está vendo, Carlos, "hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será."
O amor é a via no extremo oposto da racionalidade, é sentir-se muito antes de pensar-se vivo, é permitir-se simplesmente ir. O amor é apesar de, é apesar de si.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
era preciso fechar os olhos pra não morrer e não se machucar.
Eu tive um sonho daqueles que fazem a gente se perguntar o que é verdade mesmo. Daqueles sonhos temáticos, mas atemporais, que te fazem acordar com o coração em chamas e lágrimas tão grossas que arranham a garganta mesmo quando não caem. Doeu como dói uma cachoeira tempo demais caindo nas costas, como uma montanha passado-presente-futuro confundidos. Pior que a vontade de gritar é desejar, mais que tudo, incondicionalmente calar-se.
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